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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Acid Rain



E aquelas fadas todas voando no meu quarto? Foi só ilusão? Foi só aquele pouco de ácido trabalhando em minha mente? "Claro", pensei; e logo me vi como uma idiota. "Como pude acreditar que aquilo podia ser real? Como?", me perguntava sem cessar. E então, como um colapso, um flashback, todas as fadas voavam de novo, ao meu redor; riam, brincavam. Eram coloridas, brilhavam e delas irradiava uma felicidade que podia ser vista como luz.
De novo esqueci-me da realidade, deitei na cama e comecei a observar todas as fadinhas que dançavam no teto do meu quarto, até que as paredes começaram a sangrar e das fadas - que agora tinham pontudas asas negras - irradiava tamanha angústia que não dava nem pra contar. Afundei na cama, pensei que ia morrer, mas não sei bem porque. Toda aquela aflição me rodeava. As pequenas fadinhas continuavam a rir, mas agora riam de mim, riam enquanto se estapeavam e faziam seu sangue voar e manchar todo o meu corpo e a minha cama. De repente estava coberta de sangue, combinando com o meu quarto e então pedi para que aquilo tudo parasse. O tempo não passava e eu já estava entrando em desespero. Fechei os olhos e me imaginei em um lugar bem bonito, quando abri estava lá.
Todo o horror tinha passado e agora eu estava deitada sobre a grama verde olhando o céu e ao meu redor, flores balançavam ao vento. Fechei novamente os olhos e senti o sol em minha pele, então adormeci.
Quando acordei estava de volta ao meu quarto e nada de fadas, brilho, sangue na parede. Nada. Apenas eu, meu quarto, o aparelho de som ligado tocando alguma música do David Bowie e em cima da escrivaninha, aqueles papeizinhos coloridos.

Amanda Carvalho

Um comentário:

  1. Sua perfa, para de escrever essas coisasssssssss hahahahha amei o texto =)

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